25 de mai de 2013

San Quentin em A4

O dia em que comecei a escrever
e não parei mais
como uma manhã turbulenta
desentendida por si própria
perfeita para duas cervejas geladas
mas moldada para o cru inferno
A prisão de papel
números e absurdamentos,
embrutecido
com o olhar direcionado
tal cavalo de padeiro
esqueço minhas fórmulas
esqueço meu alcool
as duas da manhã
O sono ainda não domina
os presidiários trancafiados
que jogam todas as forças
em uma folha de papel

24 de mai de 2013

O desabafo de um gráfico

Numa espiral tubulosa
às margens de um rio de pedra
com movimentos senoidais
automáticos 
Sentado,
mas com a mente de pé
sobrevoando oceanos de pura clareza
e noites frias como o escuro

Entre em seu próprio reino
Ocupe seu trono cigano
Os convidados já foram chamados
O Encontro das Retas Paralelas
não vai tardar!

19 de mai de 2013

Rio Seco

Vinho alimenta a obra
Desce em rios roxos
Secos, nunca suaves
e no profundo embriagar
desse remédio terreno;
a mente adentra
no reino da utopia
és um mercenário
pago em moedas de uva
Filho idolatrado de Baco
recebe todas tuas bençãos
e 500 dias de glória
A disputa é desfavorável
à nós pequenos humanos
que ao tentar barrar
a indomável torrente
com o que nos resta
Somos levados pela corrente
até o além mar.

15 de mai de 2013

Música Popular Brasileira

Corpos mirrados
Sedentos de vida
Cadeiras pequenas
coração do brasil
andorinha vermelha
pássaro anil
Ao toque do bumbo
Perdi o meu trem
Que apitou no ponto
Mas ninguém viu

13 de mai de 2013

A corriqueira divina comédia

Trancado no meu quarto
Fedendo a abacaxi
Comprei um celular novo
Mas não penso em ninguém interessante
pra ligar
Confiro uma loteria velha
esquecida há muito tempo
Desisto pra sempre de apostar
A torneira pinga na cozinha
pingos pingos pingos
caindo sem discriminação
molhando os pratos sujos
que um dia vou lavar
Leio livros velhos
com grandes palavras difíceis
céu e inferno não me pertencem
Sobrevivo ao purgatório
dos dias
demais normais

10 de mai de 2013

A história do bule de chá que perguntou demais para um homem

E, com um olhar de pesar estampado na feição, desdobrando-se em intermináveis trilhos feitos do mais puro e bem forjado tédio. Vagando em um caminho trilhado pelo acaso, avistou saindo de seu armário um grande bule de chá gigantesco. O Bule de chá agigantava-se na névoa noturna e suas indagações gritadas ao todo vapor embranqueciam a noite protegida pelo fogo das estrelas. Sua alma atemorizou-se  pois não conhecia a resposta para nenhuma das perguntas lançadas indiscriminadamente pelo quente Bule. Em trilhas perdidas   sua mente se desvanecia  e ele só desejava o fim dos hercúleos ataques contra a própria sapiência.  Então, após algum pequeno intervalo de tempo o Bule de Chá começa a esfriar, e  a água esfria-se a tal ponto, para assombro de seu intelecto ultrapassado, que congela. Curioso ao ver o hiperativo bule decair à tal grau de inatividade, sem apresentar nenhum temor, aproximou-se e olhou pra dentro do seu interior. Foi quando veio uma forte onda de pressão que sugou-lhe para frente empurrando-o em direção ao gelo. Fechou os olhos, esperando o impacto inadiável, mas ao invés de quebrar o pescoço contra a dura face cristalina do gelo penetrou em um plasma negro, viscoso, inodoro. Não via, não ouvia, não sentia. Inúmeras tentativas de mudar o curso do seu destino fracassaram e viu-se aprisionado,  até o fim de seus dias em uma impenetrável escuridão total.

8 de mai de 2013

De cabeça pra baixo

Acordar as 5 e meia da manhã
O sol deitado
o frio desperto
e eu assustado sem saber
pra que lado correr
Fugindo do terror
Pra beijar o medo
Quem escala montanhas
De cabeça pra baixo
Chega no fundo
Não no topo

5 de mai de 2013

Espelho Insosso

A poesia é a imagem refletida da vida
e quando a vida perde o tempero
a poesia fica assim
sem sal.