25 de abr de 2014

sob néctar de morfeu

sim eu vim aqui para escrever
riscar esse papel com essas letras
digitalmente não preciso nem olhar
meus dedos levianamente apenas
dão suaves batidas
numa tábua preta
homo sapiens operando máquinas
Vendo luzes a todos instantes
diferentes de estrelas que fumaceiam
o pequeno planeta que deu certo
abriga grandes macacos em transição
usarão a mente sem medo
e seus nobres instintos pagãos.
Já subiram demais na evolução,
pra solaparem-se de qualquer jeito.
ascenderão ainda mais
atropelarão esse tumulto inculto
viverão como os rios que são.

22 de abr de 2014

entropia

assanhado por qualquer motivo
vou ter que escrever isso, não tem jeito
os mares do sul viraram plantação de trigo
do ouvido deu pra se ver muito bem
inabalável entropia não-dantesca
as saias fizeram-se lenços
o vinho da água partiu
alimentando flores com bicos de águia
 os nobres fizeram-se nômades
e com certeza nenhuma roupa
para no varal.

não mais se estuda
basta só aprender
pois até os tubarões
provaram um verde brócolis
E os burros dão aulas universitárias
zurrando

a intrepidez virou medo
as fortes asas dos albatrozes
são agora velas de navios
e o modo de vida foi imposto
já que gosta tanto de mar
que reme pra sempre em uma galé

vivendo com as pupilas contraídas
a luz apoderou-se da sua alma
fogueiras reluzentes são raras
andam dizendo que o fogo molhou-se.

13 de abr de 2014

domingando

Tampas de garrafas claras
isqueiros de magnitudes amarelas
pó cinza coros e velas
romances de uma vida
escritos de 2 semanas
perdidos em 2 períodos

O sol quente de um dia frio
a garganta fechada num corpo saudável
O vento fluido espectral
não corre seus dedos pelos cabelos
a janela inquestionavelmente fechada
há muitos escapamentos por aqui

espesso como um tijolo
me interponho como uma rocha
como velhos barbudos com machados
que moram em casas de bambus
caçando porcos do mato
e colhendo sua própria erva

Exponho minhas matrizes energéticas
sôfrego intermito o cabisbaixo
seres que brotam do chão e da mente
seres risonhos sorrindo pro nada
procurando explicação, seja o que for
encontraram gargalhadas de vapor

flautas sussurrantes desmedidas
estonteantes notas magistrais
assopradas no fundo do mais vermelho
dos 7 círculos do inferno
no céu só tem espaço pra arpas
e conversas angelicais

sonhos que vieram da terra
ter o nascer e o por do sol
um galo companheiro,
dois lobos uivantes
pra cantarem o meu dia.


3 de abr de 2014

não quero mais pensar
sobre campos elétricos
cargas constantes que variam
de acordo com algum desejo
de um livro em preto e branco

Não quero mais falar
sobre coisas newtonianas
e suas invenções uniformizadas
diferenciando riscos reto de tortos
por invenções de relatividade de desenhos
de seres que nem mais o esqueleto
perdura por aqui.

Eu queria era ir dormir com as galinhas
e acordar com o cantar da aurora
escutando o sopro das árvores
ao invés das sirenes ambulantes
ter como luz os vaga-lumes
ao invés de passar energia
por gases tóxicos 
para criar um falso brilho
que contrai as pupilas
da futura geração de lagartos