28 de nov. de 2025

A calculadora parou

 Era um dia de calor como qualquer outro, onde se sua parado e os ventos são muito fracos para que forneçam um alivio temporário. Estava ali como qualquer dia, sentado como qualquer hora, pensativo, na laboriosa arte da sobrevivência, que hoje de tão forte e arraigada se tornou a cultura, fundiu-se com o próprio valor de ser: o existir se dá pelo trabalho. Gestando novos projetos e informações, na peleia sentada da correria mental, quando de repente, num arroubo de cliques e pensamentos, durante movimentos audaciosos realizados no teclado mais imponente e calculista de todos: o da calculadora, quando engatilhou de forma veemente a próxima conta aconteceu algo nunca antes visto nem sentido. A calculadora parou de funcionar. Não eram contas tão complexas, eram simples, rotineiras, corriqueiras, por quiçá até entediantes, mas sua ferramenta de poder, sua ligação com o mundo produtivo da matemática, que entrega o poder que basta sabermos os axiomas e os conceitos, pois o calculo ela domina eu seu peito cinza cravado de botões 1, 2, 3, 4, eng x² hyp sin log x³ ( ) =* e inúmeros outros: PAROU. Uma calculadora que leva junto a si o adjetivo de científica, é usada para manejar a ciência da repetição das contas corriqueiras, agora estaca como um burro que nem a alfafa, nem a cenoura, num o empurrão grosseiro pode mover. ò vida, ó ceus, ó glória. O calor ficou mais quente quando a respiração se tornou afagante. Como poderia estar vivendo tamanha experiência não digna. Eram óbvios os movimentos que deveria continuar fazendo mas a calculadora simplesmente parara. Nâo tinha mais como move-la, ela se negava. Ao apertar inúmeros números, num arroubo desesperançoso, esperava movimentar, chacoalhar, ela dava um tranco e pum, parava. ò não. ó não. ó não. O sol la fora continua quente, os passaros cantam em vários tons e reclames, as estruturas a vista continuam firmes, descolapsadas, ao contrário de tudo o que existi aqui. Parado, parado estava junto com a calculadora. Mas como ela poderia simplesmente se estafar dessa forma? Funcionava há anos fazendo os trabalhos mais subalternos da matemática, sen de 478, 6 vezes 33 46 divido por 12 raiz de -1 imaginada. Olhava para ela como se olhasse para o fundo de si. E ali viu. Viu um vazio imenso, intrasponível, irremediavelmente vacúolo do nada. E esse vazio estava cheio. Cheíssimo. Ó mais uma interjeição de ó, ó ó, o desespero, como pode um vazio estar cheio, repleto, sufocado. A calculadora engasgara pelo excesso de si? Nùmeros 9 8 7 enchiam, alguns parênteses esparsos, cossenos negativos e logaritmos na base 10 em profusão, o pi voando pra lá e pra ca, divisões, somas infinitas. Pois é isso, a calculadora parou de funcionar. Não há mais nada a fazer, o sol está escaldante, o vento agora entra um pouco pela janela iluminada, se a calculadora parara ele não pode mais existir, pois só existe em si e na sua labuta diária e sufocada. Pois é isso, não há outra opção além de olhar e ver o que está acontecendo nessa nova descoberta, o vazio. Ali descobriu que os números não estavam apenas ali, postos à esmo num buraco infindável. Mas eles se referenciavam constantemente, o 9 virava 6, o 8 se dividia e zerava, o 1 entrava no 0, e esses números quando encontravam um multiplicador ou um divisor transmutavam, viraram a soma, a divisão de si e se tornavam outros e assim a coisa ia indo assim, o vazio estava cheio e cheio ele se autorreferenciava e criava um mundo de cálculos próprios, onde a confusão dos algoritmos burburinhava, mas que não resultava em nada nem algum. ó mais um ó de surpresa e cálida pena de si, ó destino, um vazio cheio engasgado, repleto por todos os lados de informações absurdas auto referenciadas que travavam toda e qualquer contato real da calculador com o mundo externo. 
Calou-se as informações, foi treinado para solucionar problemas e assim começou a matutar, e sentou e refletiu e pensou: como resolvo isso como já sei vou ajudar a calculadora a se calcular e ali começou a somar dividir multiplicar subtrair elevar subdividir tangenciar logaritmar tirar a raiz somar de novo organizar os parênteses, deixar em graus em radianos até a décima potência elevou e após muito esforço suor, lágrimas, corridas, bufadas, profusões de suspiros, sentou para ver. Calamidade, calamitoso, calaminado ficou ao se deparar, os números, com seu movimento, ganharam ainda mais vida e movimentos próprios, agora eles estavam se somando e se dividindo e se multiplicando e .... cada vez mais e cada vez mais violentos, milhões e cifras e o vazio cada vez enchia mais e mais e os números sairam do grande buraco do vazio e tomaram conta do espaço e se multiplicando toteamente começaram a sufocar o visualizador e criador e propulsor de tudo isso. E eles começaram a cair pelos seus pés e foram subindo e tomando o mundo ao seu redor já estavam na linha do umbigo e era uma inundação irreprimível irreparavél selvagem violenta, furiosa. Agora nem ó mais temos tempo pois a morte parece estar vindo a galope os algoritmos já estão na linha do pescoço e se apertando contra seu peito está difícil respirar, mas ele continua calculando, olha para os números e acha que ao resolve-los eles sumirão e soma e divida além do que naturalmente já acontece e de repente nota que os números ja entram na sua boca entreaberta e ele é obrigado a fecha-la. Subiram estão no seu nariz meu deus como vai respirar está sufocando os números eles são tantos será esse o fim final? morto afogado pelos números infinitos irretocáveis incalculáveis. Já totalmente submerso nos números vê toda a vida se depara com a existência lembra do seu cachorro, da sua ultima corrida, do peso mais pesado que carregou, daquela vez que subiu num pódio, quando levou um socão no nariz e saiu cuspindo sangue pela rua, quando descobriu o que queria, quando viu que o que queria não era mais o que queria. toda a existência passou sobre sua cabeça, como a dimetiltriptamina que entra na sua corrente sanguínea antes da morte certa. Os números se multiplicavam farfalhando num arroubo de orquestra e finalmente, submerso e vencido viu que não adianta mais lutar. Com a respiração trancada, decidiu respirar e os números iam adentrar a si e morreria afogado, afogado no excesso que enchera o vazio da sua calculadora. Respirou. Respirou fundo, Respirou profundamente como nunca dantes e fechou os olhos. Respirou de novo, respirou profundamente, como nunca dantes no quartel de abrantes. E fechou os olhos. E na terceira respirada. Quando enxergou novamente seus grandes pulmões de atleta, com os olhos fechados, notara que a vida ainda pulsava no seu pulso, e não começaram o processo doloroso do encontro com a morte. A morte. Ó! Estava vivo, e era tão bom e de talento respirar. E assim ficara, quem esta preparado para o fim, quando descobre a vida pulsando nos pulmões, simplesmente se dilui em alegria pelo simples ficar e existir. Respirando, fechado, respirando. Passara muito tempo Muito tempo. Deus em sua benevolência poderia ter criado outro planeta, outra existência, obviamente pois ele cria com um piscar de dedos. E respirando com os olhos fechados, abriu os olhos. Viu o vazio, viu os números, eles já não o sufocavam, o portentoso e infinito vazio não estava mais tão cheio, numa calma que se mostra claramente no andar deste escrito, os números se controlaram, Ainda estavam em profusão no vazio, mas agora o vazio tinha muito mais espaço para o nada. E o nada se mostrava glorioso, lindo, espectral, um nada cheio de vida pois a vida não preenchia todo o nada. Os números não pararam, nunca pararão, se multiplicando e se dividindo infinitamente, mas o vazio agora tinha espaço. Lá fora calor ainda amassava sua existência, mas ao sentar novamente defronte da calculadora e apertar o botão on, em seu visor pálido de aparência nada tecnológica o zero apareceu. 

26 de nov. de 2025

Antagonista

14:13
Em uma tarde de calor estonteante, sob um sol maravilhoso e um céu azul de tão azul. Nos deparamos com mais um entendimento. O entendimento de buscar a escrita, rapida, completa, sagaz, para entender os processos. Olho para as telas e resolvo pontuar a situação que elas me colocam. Olho para o outro e busco responder e explicar nuances do eu, olho para a solidão e procuro explicar o sentimento do vazio. Olho para o vazio e vejo, vejo nada, desvio o olhar para que não o observe. olho para a tela. 
Pois bem, há um lapso de criatividade e falta de exultação nos compromissos cotidianos há algum tempo. Procrastinação e abuso de telas. Mesmos problemas. Mas esses textos aqui não são para choramingação pura e irrestrita, e sim para mostrar o espelho da realidade através de histórias discorridas. Esta história é sobre os pensamentos solares do sol. O sol, quente e brabíssimo em seu resplendoroso céu sabe realmente que sua existência é a existência de todas essas criaturas pensantes na sua órbita. Criaturas estas de todos, TODOS os tipos, das quais as mais (complexas?) estão numa situação diferenciada. Pois o sol aquece a todos e gera energia forte e constante, mas as criaturas hoje se alimentam muito mais do calor de telas, telas escuras onde é colocado uma partícula de sol, para que brilhem para olhos dissonantes. Mas seriam as telas o antagonista desta história solar? Pois duvido. As telas são apenas um sintoma. O sol sendo exímio ser luminoso que rege a tudo deve ter um antagonista forte o suficiente. A escuridão? Mas essa escuridão é a mesma que se silenciam com as telas. Da escuridão se foge para as telas. Então a escuridão também não é, mas a fuga da escuridão. A fuga, a fuga da escuridão ou a fuga do sol? Fugir é o ato de se escapar de algo que está acontecendo e se sucedendo. Seria nosso antagonista apenas a negação da ideação do sol? E essa negação do sol leva também a negarmos o contato às sombras? A fuga é a causa ou é mais um sintoma? A fuga seria um sintoma do que? Foge-se do sol, consequentemente foge-se da sombra, para não se visualizar. Visualizar o que? Foge-se do que? A fuga e a cadeira à sombra são companheiros. Esta cadeira (sentado novamente) parece ser um refúgio muito concreto, tanto do sol, quanto da sombra. Esta cadeira não pode ser a fuga pois a fuga é corrida? a fuga é movimento? assim como a morte, que não é estagnação? Qual a relação entre a vida da cadeira, a fuga, as telas e a morte? A morte seria o balizador que apita que há algo errado na vida?? Errado? Sentar-se à cadeira, ter comida infinita, buscar prosperar, as vezes mais, as vezes menos. Esta é a vida, movimento. Mas a vida da cadeira esconde-se do sol. E aparentemente esconde as sombras. É uma catatonia. O movimento é quem salva? Temos um cantor de uma música só. O movimento salva, mas movimento sem direção é fuga. O sol a escuridão parecem ser do mesmo "material". As telas e a cadeira são de outro material. E a fuga é outro material. Como diferentes espécies desta história, relacionadas mas totalmente diferentes. O sol e a escuridão são o caminho do movimento à morte. As telas e a cadeira são a fuga, a fuga da transmutação da energia da sombra em sol. Movimentar os medos e receios da sombra para o sol. Mas a cadeira é um porto seguro. Fugir da cadeira e das telas não parece uma opção. já que fazem parte do processo de comida infinita. Mas parar de fugir do sol e das sombras através da cadeira e das telas é a cura? Cura? Estamos buscando o antagonista, o antagonista do sol, mas aqui só tem eu, só tem eu. Até o sol sou aqui. Onde está o antagonista de mim?

14;34 - escrito em 21 minutos

11 de nov. de 2025

flores brancas da morte

Este texto será escrito em 20 minutos:
Seu espirito estava combalido. Após um dia constante de movimentos, grandes escaladas, discursos acachapantes, ele sentou e resolveu colher flores: flores para um ser que ele achava que existia junto a si, mas que precisava testar. Sua perspctiva é que estava colhendo flores para uma criatura viva, mas morta. Morta mas que já não respirava. Não que ela não respirasse e estava realmente morta, mas para a realidade que estava imaginando criar, ela já estava enterrada. As flores eram brancas, vivas, viváceas e cheirosas. Mas como poderia ele acertar na escolha das flores para um ser morto? Teria alguma diferença entre carregar flores e não carregar? haja vista que aparentemente, o presente nascera passado. A indiferença da respiração contrastava com o olhar certeiro que a criatura entregava ao receber as flores, vivas, mas que ao serem arrancadas, já estavam mortas. A criatura ou as flores? Antes de colher as flores, refleti sobre a constância da vida das mesmas, elas seriam entregues para uma pessoa viva ou para uma pessoa morta? Ela seria entregue para uma resposta e para uma pergunta ou para uma afirmação de cabeça? Ela seria para um cadáver ou para uma vivaz e sorridente criatura. Não sendo repetitivo, a criatura estava viva, permanecia viva, com sua respiração ritimada, seus exercicios, sua realidade intacta, cujo eu, buscava atingir com as flores e a presença, torta, suada, pestilenta e espinhenta que carregava flores. Estas flores, foram colhidas com sorrisos, entregues com ansiosidade, recebidas com animosidade. por uma criatura viva ou uma criatura morta? Fez-se a questão, ao serem entregues, as flores estavam com as mesmas cores da criatura, um retrato pálido e branco acertado, a lua também estava lá, palida, sem nebulosidades lhe atravessando as vistas. Diferente do meu olhar para a criatura, ou do olhar da criatura para mim, o coletor e carregador  das flores brancas. As flores levaram a uma conversa, intensa, movimentada, informações trocadas sobre a vida da superfície. Assim como pequenos crustáceos, que parecem aranhas, que vivem sobre a superficie da água, tocando suas delgadas patas ee não quebrando a tensão superficial da água, assim foi a conversa pós flores. Rastejando sutilmente sobre a superfície, molhando as pontas dos dedos e nada mais, assim foram as conversas sobre as flores. Se dedicassem a falar do acaso das flores estarem mortas ou vivas, talvez fosse mais produtivo. Mas não era pra ser produtivo, era apenas para serem flores. Flores que pairam na dúvida, os seres que confabulavam estavam realmente vivos? Presentes no olhar ou fugazes, buscando na vida a fuga da morte. pois o presente não vivido é apenas um dedilhar da morte, sejam das flores ou sejam dos vivos. A criatura parecia viva, mas trabalhava com a morte: qualidade. Era o que a criatura cuidava, qualidade da morte. A criatura que recebeu as flores, sabia mais do que ninguém se as flores estavam vivas ou estavam mortas, se o entregador das flores estava viva ou já surgiu morto, e se a vida que lhe deparava na frente era uma vida de vida ou era só um resquício pálido do brilho de seu próprio cadaver. Já as duvidas de quem realmente arrancou a vida das flores eram todas, não sabia se estava vivo, se a criatura estava viva para si e se as flores estavam vivas para os dois. Ó dúvida, talvez o destino tenha sido diretamente a morte, nem água nem brilho, nem iluminou nada. As flores foram arrancadas e entregues em algo que nasceu vivo, mas que o brilho de um silêncio e um desprezo pela vida, simbolizaram que estava realmente morto. A repetição da vida e da morte, em que a serpente se alimenta da propria cauda, numa busca por si, na busca pela vida a serpente investe e encontra a morte, pois a vida é o próprio movimento da serpente, que ao colher flores para criar vida, encontra morte, num ciclo morimbundo. A palidez do encontro, sutil sob as águas da vida e da morte, encontra a efermeridade de um espelho escuro, onde tremem mensagens confusas e tentativas de vida, que sob um olhar, que tenta impavidamente manter a vida das flores, nem nota que ao arranca-las, acabou de decretar a sua morte. E contentes devem ficar ao ver, que existem flores que devem ser arrancadas, pois sua seiva consome demais a evolução de toda a planta, não está na hora de florescer, está na hora de vicejar. As flores brancas foram arrancadas e ali encontraram a vida, e ao serem compartilhadas, foram testemunhas e criação de uma conversa de mortos. Entremeados no proprio ser, engolfados pela superfície. Estão vivos, mas o que existe é a morte, seus corpos e corações não baterão uma vida.
Escrevo isso, e termino com uma esperança, as flores são arrancadas para dar folga às raízes. A vida é esperança, e o que se chama de morto é apenas: descanso

31 de out. de 2025

pensamentos sobre pensar

 hoje acordei sonoramente confuso com o que pensar. Ao abrir os olhos pela manhã foi diferente. Ao invés dos impulsos momentâneos naturais, comer, beber grandes quantidades de cafeina, espancar o cachorro, cuspir pela janela, me veio uma opção em mente. Como se minha cabeça se separasse em caixas selecionáveis, com  condições não-arbitrárias e não estáveis. Primeira questão que me deparei era como entender algo que nunca havia vivenciado dentro de mim antes, como explicar isso então está fora de cogitação no momento atual deste escrito. Contido e retesado, deitado e esparramado, comecei a inferir sobre o que estava se passando no desconhecido do si. Era como, era como se eu pudesse escolher o que pensar. Simplesmente isso? Como explicar o livre arbitro da propria cabeça, numa descoberta inédita em uma condição fora da CNTP. Escolher o que pensar, de forma livre. A manhã se faria como minha cabeça intuisse, como minha decisão moratória e seletiva apontasse. O pensamento como escolha e não como automação. Escolher pensar, escolher de forma livre. Estranhei, deixei minha cabeça vagar livre para ver se ela tomava o caminho natural do contexto histórico do eu... café, trabalho, cão, céu azul, meteorologia. Que nada, era como se, estagnada, fosse disponível apenas para a escolha. Tá, perfeito, mas escolher o pensamento, como? Quem iria escolher esse pensamento, ora bolas, é claro que sou eu, mas o eu que conheço saberia o que fazer, escovar os dentes, trabalhar, abrir o instagram, fritar ovo. Obvio mas dessa vez as coisas só aconteceriam sob a livre escolha e consciente selecionamento de vida. Pronto, agora eu poderia escolher o que aconteceria na minha manhã ao escolher meus pensamentos? Como funcionaria tudo isso? Entre vestir e não vestir  uma cueca de cor amarela teria um processo decisório? Óbvio, como podemos ver, que a minha primeira escolha foi refletir sobre a minha provavel escolha. Meta-pensamento? A escolha do pensar soibre o que pensar? Confuso, confuso e estridente, mas eu estava livre? Finalmente livre para pensar o que escolhesse. Ok, escolhi aceitar essa realidade e passar a fita pelas escolhas, mas algo me pegou pela rabeira do tendão de aquiles, o calcanha, o ultimo suspiro da ilíada também era o que me travou. O calcanhar. Se eu pudesse escolher o que pensar eu escolheria a partir de pensamento pré-automatizados que ja vivenciei? Então minha escolha, antes uma miragem de liberdade seria apenas um espelho pálido do que já vivenciei? Os pensamentos que escolheria seriam apenas os pensamentos que saberia que existem nessa prateleira da mente pensante? Pronto, mas e a minha liberdade de escolha? Até ela está condicionada. Entrementes, isso não é possível, onde estaria meu livre arbitro? onde estaria o único dom divino real dado por deus o todo poderoso criador dos céus e da terra? Se eu pudesse escolher qualquer pensamento eu vou escolher pensar algo que nunca pensei antes! Pronto, deopis de tantas interrogaçãoes aparentemente temos um ponto de exclamação. É uma decisão, claudicante e que ja se inicia extenuada. Escolhi pensar algo que nunca dantes fora pensado por mim. E ver no que ia dar. Vamos, lá, me preparei todo dentro do meu proprío corpo, este sim, forjado e carregado por todo o passado que selecionei e este sim, indelével e sem escape, pois nessa manhã não poderia escolher outro corpo, só outros pensamentos. E assim cai na primeira armadrilha armada pela própria liberdade que escolhi. Acordando e pensando que poderia pensar qualquer coisa, apenas o que pensei que o pensamento que viria era apenas um eco dos pensamentos que pensava todos esses dias? E buscar pensar novos pensamentos é apenas uma grande pantomínia considerando que para desova-los como novos pensamentos deveria eu fazer um comparativo com todos os outros pensamentos que já poderia ter existido dentro desse pensante? E mesmo novos, como saberia eu que não é apenas uma referência entregue por um subconsciente que já estava preparando essa informação para subir no iceberg da mente? Ó laborioso existir, ó generosa liberdade, tão desafiadora a extensão do proprio ser buscando se desvincilhar das amarras do si. Pois ao descobrir que meu pensar era livre, descobri também que talvez não seja tão livre assim, amarrado e condicionado. Trementes, formigas operárias, prestem atenção no ditado do seu mestre, seu mestre é o programa que se instala em seu âmago, como vais pensar algo novo se nada de novo pode sair do reflexo da sua mente, um novelo do seu proprio passado???? Inacreditavel essa informação, pois podemos todos observar que meu primeiro pensamento foi me pegar confuso pensando sobre a origem dos meus pensamentos ao tentar gerir um ovo de cabra, sendo uma galinha? A liberdade ao inves de me expandir, estava a me amarrar a uma verdade indiscutivelmente, indigeste. Pois se seria inviável pensar algo novo, quem estaria realmente do comando do pensamento? Obviamente, eu, o meu proprio passado, formado e lapidado por todos os morros, os sois, as gripes, os trabalhos, as flexões, as lagrimas e risos, gargalhadas, sentadas na beira do rio e na beira do vaso, cusparadas no chão, perdidas de fôlego, falas sobre como estará a chuva amanhã será que será que será de quantos milimetros? 15 ou 20? Quantos tijolos vai nessa parede? Quantas chaves tem a porta do meu coração? Ó pensamento livre, quem sou eu que penso, e ao pensar novo não sei exatamente quão velho é minha novidade?
Pronto, nada de novo no front, chegamos a conclusão sobre todos os meus pensamentos observados. Observados, observados, este fluxo de consciência textual está ficando confuso, como assim pensamento observado, então essa liberdade que está sendo trazida por um novo presente de charles junior, o anjo, que julgava ser a opção de pensar livre, é observar o pensamento? Pois ele será apenas um reflexo do que ja foi pensado? Estou repetindo, repetindo como se erguesse e abaixasse um supino pesado. A real liberdade não está em escolher, amarrando os demais pensamentos, mas ter a capacidade de observar o pensamento que se cria através do eu. ok

ok

ok

Mas 
Se o que formei de mim está contido em meus pensamentos, quem sou o que observa o pensamento? Onde está a fronteira da liberdade do pensar com a liberdade de visualizar o que se pensa? O seletor dos pensamentos, o julgador, o observador dos pensamentos, ah sim. Cheguei na resposta? Onde está a fronteira entre o observador e a coisa observada?


28 de out. de 2025

musculação

 Joguei no peito 10 kg em cada lado. Deitei no banco, como uma paródia que se auto explica, haja banco grande onde se pode deitar, seria um banco cama, ou um banco largo demais, ou eu sou um ser pequeno, diminuto que caibo todo no banco? Talvez simplesmente faltem palavras melhores para o banco. Deitei, mas não foi na cama, com os braços, os dois, ao mesmo tempo, ergui facilmente os 20 kg. Tão simples 20 kg, leves, sublimes, parcos 20 kg. Muy diferentes dos 20 kg se fosse um galão de água, muy diferentes os 20 kg se fosse um saco de cimento. São 10 kg em cada braço, espetados numa barra de metal, inúteis por si só, com sua única utilidade é essa, serem erguidos, seja deitados em grandes bancos, seja verticalmente em posições de sentido, com os braços, sempre com os braços, não são kilos feitos para as pernas. Deitado, os 20 kg no ar como se fizessem uma linha imaginaria em direçaõ à minha teta, ó teta que será timidamente esmagada por esse tímido peso. Tímido porém eficaz em realizar o primeiro ato destes movimentos teatrais, que não tem objetivo algum além do próprio movimento. Grande energia cinética despediçada num culto ao corpo? Onde nossa organização social nos dispõe a fazer grandes esforços de exercício que não criam nada além do proprio exercicio. Ó pobre pensador que és se pensares no que fazes enquanto o fazes, ó pobre pantomínia de levantamento de peso, ó grande ilusão de um corpo cansado. Estou enganando meu corpo, estou ludibriando meus sinais vitais com um exercicios, grandes somas de esforço que me levam a nada? Simplesmente a repetir grandes somas de esforço, para quando chegar a hora da grande questão, fazer uma mudança, alimentar uma betoneira, erguer uma criança: estarás pronto. 
È isso que me conto, substancialmente, sutilmente, sublimemente, num inconsciente que deve estar bêbado de aceitar essas ideias, mas que aceita pois a endorfina, a serotonina e outras inas que julgamos conhecer e entender, nos perpassam o cérebro. Os 10 kg são leves, desço ao peito, ergo até o mais alto dos céus que meu braço, deitado alcança, tenho que lembrar, é obrigatório lembrar algumas regras: minhas escapulas, ou se eu fosse um anjo, minhas asas, tem que ficar travadas como se jogassem uma contra a outra. Se charles junior fosse meu nome e eu também fosse um anjo, imaginaria como ficaria o suporte das minhas asas com esse formato de exercicio. Mas se anjo fosse, provavelmente seria muito dificil deixar as asas de forma confortável nesse banco grande que é feito para deitar, mas não é feito para dormir. Os 10 kg são leves, já citei isso? São leves e o esforço que dispendo para ergue-los e desce-los é tranquilo. Temos uma cultura que não precisamos de grandes repetições, como se no mundo 10 - 15 vezes espaçados de algo bastasse. Ergo e baixo, ergo e baixo, ergo  e baixo, ritmado, respirando, soltando pela boca como se bufasse levemente como um suspiro forte pela boca. 10 kg são leves, Termino a sessão e vou para os 15 kg em cada braço. 30 kg ao todo na básica matemática do 2. Leve? Mas as escapulas travadas atrás já travam de forma diferente pois é 50% de peso a mais. Ao erguer, meu peito se joga contra ele mesmo, como se meus mamilos fossem dois apaixonados, buscando se encontrar. Pobres mamilos, nunca se encontrarão, Viverão essa vida sendo amassados por pesos cuja única utilidade é serem pesados, E a cada movimento de se encontrarem verão a vida pertinho, o clímax de um quase, o quase tocar, o quase encostar, mas viverão eternamente, num vai e vem mamilar, achando que dessa vez encostarei com todo o meu ser de mamilo neste outro igual a mim mas oposto, o mamilo do outro lado. Felizes mamilos em sua utopia, não lhe bastam encontrar mamilos diferentes encostados em ti? Por hora molhados por beijos, por hora bicudos, e normalmente, maiores, maiores mamilos. Os 15 kg seguem a mesma história do 10. O mesmo padrão, sobem e descem, fazem o pulmão bufar um pouco mais forte agora. Sim, se por fortuita imaginação existisse uma fogueira, uma fogueira em brasas de fronte deste imaginado anjo que deitado supina feliz, essa fogueira estaria estalando, suas brasas estariam avermelhando em uníssona alegria pela torrente de oxigênio que recebes desse sopro. O sopro dos 15 kg que é mais forte que o assoprar dos 10 kg. Mas não há fogueira, não há anjo, não é prego sendo martelado por nenhuma marreta ou martelo ou outro equipamento não recomendado para se bater um prego na falta de ferramenta acertada. Só o que há é o esforço em vão daqueles 30 kg subindo e descendo, por 10 - 12 vezes compassados. Assim se pausa, assim se termina, e os olhos ávidos buscam por mais, Vamos enganar mais o corpo, 20 kg em cada lado. Um galão de água em cada mão, mas que não vão para o bebedouro e para o filtro, só serão levantados e baixados. Agora o peito está inchado, os mamilos se protuberaram e se alongaram, a coluna está angulada como se o umbigo também quisesse alcançar os céus, o céu onde deus, criatura e criadora, colocou esses seres membrados para serem felizes e se exercitarem diariamente em locais fechados com a face ruborizada. O esforço é maior, o bufar faria duas fogueiras se preencherem de portentosas laberadas. Agora sim, se antes não havia pensamento, não há mais nenhum, apenas o levantar e abaixar. As asas ainda estão amaradas, as escapulas, com dificuldade, são empurradas uma contra a outra, o peso em um ãngulo de 45 graus desce apenas para voltar a subir. Pontuo, pois é nítido o esforço, é nítido no bufar, no ruborizar, está sendo criado o que foi buscado, o esforço gera microlesões no músculos, essas microlesões causarão uma microinflamação, as fibras musculares vão romper levemente, e isso meus amigos, aparentemente isso é a magica da coisa toda. os 20 kg se foram, e o ego, impavido colossal, maior que todo e qualquer músculo, seja treinado, seja micro rompido, seja o que for, é maior. O ego maior sabe que o limite do corpo é maior ainda. E busca os 30 kg em cada lado. É quase o peso de todo o corpo magro e esquálido do corajoso deitado no banco, é mais que o peso de muitas mulheres que deitam em sua cama e encostam os mamilos nos seus - para a alegria dos mesmos. Agora o bufar é digno de um búfalo, carregando o mesmo começo gramatical, o esforço é grandioso. A mente só quer sobreviver, erguendo uma soma imaginável porém respeitosa, o que eram 12 repetições viraram 6. e o cosmos todo parece fazer sentido quando o movimento se põe em ação: 1, bufas, 2 bufas, 3, é dificil o anjo amarrar suas asas uma contra a outra, charles junior talvez seja um anjo. Eu só quero que meu corpo se canse do dia que fiquei sentado olhando para as telas, e de tantas telas, é preciso fazer esforço, um útil esforço inútil, um esforço de erguer um peso que só foi feito para ser pesado e ser erguido e nada além disso, eu um banco deitado que não é banco, nem cama, e não se pode dormir. 60 kg e as fibras estão contentes pois estão levemente rompidas. Os braços estão tomados por veias, cujo portentoso esforço em bombear grandes quantidades de energia para os braços erguerem vultuosa carga fizeram-nas alegremente mostrarem-se ao mundo, azuis, como a vestimenta do anjo se assim fosse. 6 repetições e não há mais nada a fazer, os braços soltam os pesos e eles caem no chão como um estrondo oco. Um esforço hercúleo pelo simples esforço. A mente que criou tudo isso, agora abafa-se pelo esforço. E assim repete-se, repete-se  pelo simples fato de repetir, e esse ritual moderno é interpretado como base para a vida toda, a vida das telas, a vida da criação a distância, onde erguemos incríveis somas de carga apenas por ergue-las e nos sentirmos menos. E nos sentirmos mais. 


26 de abr. de 2024

Um navio a meio mastro
Corroído pela tempestade
Pelas ondas fortes
Sua vela esburacada
Amarrada a contragosto
Recebe o vento com seus risíveis buracos
Existe um leme, emperrado, enviesado
Segue um caminho indigesto
Em uma circulo infinito
longos rodopios ao redor de um Centro,
mar outrora fértil, Rico pujante, esperançoso
Mas sob calmarias infinitas,
Se findou em tempestade breve, aniquilante
O capitão (dos meus sonhos) está dormente
Extenuado pelo nada que habita em si
A tripulação, outrora cantante, calou-se
Só tem a Própria Água para beber
E bebe consternada e feliz
Pois na pujança de um mar cheio
Esquecia-se, Ilusionada pelas miragens 
Morria da sede de si.

16 de abr. de 2024

Inundação

 Tirando sonoramente o enferrujado das ideias
A poesia eu aniquilei
Enterrei fundo a 7 palmos do chão
Do chão que meus pés pisavam mas não sentiam
Joguei cal, botei pedras tudo pra esconder
O que eu achava que em mim havia de tirar
Era só um espelho que me fazia ver
hoje me leio e me vejo
O presente se faz através do passado que enxergo
E os traumas como retalhos carrego arrastando
sem cenzir, sem coser
o Chão que enterrei parte de minha alma
suja os retalhos de sangue, pó e barro
As vezes me vejo e os lavo
mas a água está turva, desfigurada
O rio que não flui, apodrece
Os prazeres, grandes barreiras
Criam limo nas pedras do meu rio
E quando piso para lavar meus retalhos
Tropeço, deslizo e caio
Na ilusão perdi o caminho
Da límpida fonte do meu ser.

Abro as barragens
A agua flui e me afogo
Retira e leva o que foi enterrado 
Quando o rio baixa
Afogado, encontro o cadáver pálido que enterrei
Está morto e isto é bom
No seu bolso há uma agulha
E ao olhar para as pedras sem limo
E para a água que começa a espelhar 
Não vejo nada do que restava de mim
Além dos retalhos, limpos
E uma linha 
Vou cerzir novamente
Ouvindo as águas do rio que me corre




3 de dez. de 2019

só não li tudo isso que escrevi

Eu não leio mais literatura, já tem história demais nesse mundo. A ficção permeia todos os espaços, eu abro esta tela a qual costuma escrever algumas palavras e hoje leio várias histórias por dia. Leio histórias sobre o que disseram os governantes, leio histórias de como eles pretendem resolver suas questões. Leio histórias sobre as coisas que acontecem, as espécies que foram dizimadas, os rios que não servem mais para banhar a cara, sobre rios que não pode tomar banho que entra um peixe no pinto, sobe um rio que tem uma mulher com um rabo de carpa, sobre um cavalo marinho que o macho cuida dos filhotes na sua fase de encubação, sobre as montanhas de plástico nas barrigas dos cetáceos, leio a incrível jornada de pessoas pra buscar cravo atravessando oceanos imensos, e também os que foram buscar o que tinha pro lado de cima ou pro lado de baixo e descobriram gelo e água, e ursos brancos e baleias gigantescas, leio que descobriram que as vezes esquenta e às vezes esfria, descobriram que se queimarmos bastante coisa ao mesmo tempo vai esquentar, descobriram que se colocarmos a carne no sol ou na banha ela se conserva um pouco, descobriram que existe uma filosofal que transforma cobre em ouro e hoje tem várias filosofais , e também leio que acharam um líquido viscoso nos recônditos do planeta e ele é bom de fazer combustão, e sobre a situação dos que buscam água longe de casa, e dos que vivem em lugares que não chove, e também li sobre lugares que choveram quatro anos, onze meses e dois dias, sobre lugares que sairam navegando e sobre lugares que existiam embaixo d'água e agora leio que existem lugares no céu e nas estrelas e li que tem um vivente que quer ir pra marte, li que as formigas podem fazer tuneis kilométricos e que as abelhas dançam umas para as outras, os golfinhos se gritam e conversam e já tem espaçonaves a muito tempo, li também que a gente morre e vai pro ceu, li que a gente não morre, li que a gente morre e volta mas não se lembra, li também que tem gente que morre volta e lembra, e sobre gente que não quer ir, li sobre vários que escolheram ir e li também o que eles deixaram escrito, sobre quantas cargas tem um eletron e quais as multas que algúem irá pagar caso erre de determinado jeito já li, e quando descobriram outro jeito de viver eu li, e tambem li sobre como achar o melhor jeito de viver no lugar que a gente mesmo vive, li que tem bastante gente viciada em bastante coisa, e li que somos grandes mariposas com grandes olhos e li que tem gente acha que a gente tem que cortar as arvores transformar em garimpos pra tirar da terra o que tem dentro do smartphone e dessa tela de computador aqui.

13 de fev. de 2019

Ah se eu fizesse poesia
Escreveria assim sem maestria
As coisas que tem a mim
Das juras que não tem fim

Ou falaria sobre o campo
E florestas matas e rios
Onde velas sem pavios
Encontram o próprio canto

quiça assim seja perfeito
Escrever em linhas repartidas
Uma parte em cada peito
As palavras comprimidas
Mostrando que está lá fora
Mas que vive aqui agora
Nesse ritmo ditado
Nada foi agendado
Nem é programado
Nas asas daqui do chão

29 de jan. de 2019

Compartilhando

O gosto de escrever pra ninguém ler
O jeito de ser pra ninguém ver
Tudo o que tá dentro
poderia estar fora
tudo o que está fora
foi gerado dentro

Adictos em compartilhamento
Já estão com os aplicativos
Atualizados dentro de si

Chamando a atenção para si do que não é
Esquecendo a atenção de si mesmo para cultivar, lubrificar
O submundo do que não és
Pois o que sou não é a imagem
Pois o que és não é a ideia que fazes de si
e mostra
realidade
Repaginada
Reprogramada

Através das redes,  eu's que esqueceram de serem eus
egos procuram sublimar-se propagando-se
E lutam contra imagens
De vidas melhores
De gramados verdes
De praias azuis sem areia
Numa mentira Numa ilusão
E aceitam as mentiras
E aceitam as ilusões

Não são felizes pois não são o outro
A vida propagada através de bits sequenciados
através de conversas sem fala
abraços sem corpo
brigas sem olhos.

a ilusão substitui o sol
os livros foram todos queimados
fiquemos com os blogs
e os escritos que só fazem sentido para quem os escreve




21 de jan. de 2019

O elo, a risada

Das sombras que faço minhas por não saber medi-las, deduzo um caracol de emoções.
O osso do peito se parte
A dor do romper não é tamanha a do ficar
O ficar dói, o romper dói
O romper dói mais
Mas o ficar traz as sombras que minhas não são
e o romper a esperança das dores,
as minhas
e as tuas
saradas
Por mais que o partir doa e machuque
Todos os momentos e energias
Todos os sonhos e desencontros ,eles ficam por hora
Gravados na mente no jeito e na risada
Ainda que seja a risada a ficar
Parecida
Idêntica
Singular em dois mundos
Dois mundos que queriam ser um
Ora aquartelados numa bolha
Sonhavam viver o mesmo sonho
Mas os medos, maiores que os sonhos,
confundiam sonhos com sombras.
A risada , a mesma, permanece, impávida
Separados, rirão o mesmo riso
E o risonho riso doerá...


até não mais doer.



28 de mai. de 2018

Ocasionalmente as andorinhas do têm de migrar do norte, esfria, o frio para elas é um problema vital. O mesmo frio que sentem os ursos e a preguiça e a preguiça
A preguiça entra nos poros e atinge superfícies importantes nos feixes de energia. Um desvio da fibra dessa eterna convecção energética corporal causa inúmeros problemas no material corpóreo. Ou ainda a preguiça pode ser vista como a consequência das transmissões energéticas deficitárias. A energia que é produzida pelo corpo é irradiada ao seu redor, pois nada se cria nada se perde tudo se transforma, e transmuta a realidade. A preguiça torna-se preguiça por sutis calos energéticos que impedem a vazão irradiativa dentro dos feixes delimitados fisicamente pelo material corpóreo, esses calos são um espaço, uma nódua de inércia negativa, estagnando os fluxos, e isso tende a gerar mais calos, causando mais preguiça.
Conhecem-se diversos modos de desenrolar essa nodoeira, em tentativas de melhorar o fluxo e todas elas demandam um bom período de tempo e é amplamente facilitada se o trabalho maior for realizado pelo próprio portador do nó.
Há meios de feixes externos, que formam ou não um corpo, retirarem essas nódoas através da própria irradiação, e o tempo também é preponderante. Para efeitos mais imediatos os materiais corpóreos através de seus feixes de energia devem despender grande carga para o desnoze. É uma manobra perigosa que demanda grande poder, se a energia não for suficiente elas podem sugar parte do nó, e não transmuta-lo.
Os feixes energéticos não corpóreos desatadores se encontram cada vez mais escassos devido a um poderosa malha energética não-orgânica que forma inúmeros de bloqueios energéticos, e são desconhecidos para as palavras contidas aqui neste local.
A forma autosuficiente de acabar com a nódoa de forma imediata é sim um grande espetáculo. È o principal gerador de acontecimento não casuais e pode transmutar em todas as dimensões. Feixes mais brilhantes tendem a remover quase em sua totalidade os calos, tornando-se grandes causadores de fenômenos. Feixes ainda mais brilhantes transformam os nós em reservatórios para manter níveis vitais de energia ou para explosões energéticas direcionadas.  Porém, sem o devido direcionamento a forma imediata pode ocasionar rupturas na vazão e acelerar os processos de perda energética
a preguiça é só um detalhe.


8 de mar. de 2017

Sob a luz da lua a um abraço os dois sós pertenciam. O abraço os deixava invisíveis e os fantasmas que perambulavam por ali não os enxergavam. Os fantasmas eram terríveis mas também não eram nada. Suspiravam pra não perder o fôlego enquanto o mundo permanecia parado. Quando desfizessem o abraço, os fantasmas os levariam para longe. Sentiam que aquele era o último abraço.

26 de jun. de 2016

nem tudo é rosa

Isso e escrito de forma pálida
Escrito escritorio romeu labuta
Agradece a d eus mia conduta
Juros com furos deviam cobrar-se
De uma forma justa e válida
Quem dirá que me diga
Como que o sem papel
Vai entender o tal roteiro
Translucida rotina, desatina
O si só se basta quando bastou
Mas o bastão que segue trilha
Nao sabe mais
Escapar dos espinhos

15 de fev. de 2016

Essas sublimes palabras
Destas daqui quem lê
Ingomias tal qualquer
artefato de triunfo
Chocam-se com a realidade
O que nâo se toca
E o que não se vê
Brotam num submundo
Touchscreen