Corpos mirrados
Sedentos de vida
Cadeiras pequenas
coração do brasil
andorinha vermelha
pássaro anil
Ao toque do bumbo
Perdi o meu trem
Que apitou no ponto
Mas ninguém viu
15 de mai. de 2013
13 de mai. de 2013
A corriqueira divina comédia
Trancado no meu quarto
Fedendo a abacaxi
Comprei um celular novo
Mas não penso em ninguém interessante
pra ligar
Confiro uma loteria velha
esquecida há muito tempo
Desisto pra sempre de apostar
A torneira pinga na cozinha
pingos pingos pingos
caindo sem discriminação
molhando os pratos sujos
que um dia vou lavar
Leio livros velhos
com grandes palavras difíceis
céu e inferno não me pertencem
Sobrevivo ao purgatório
dos dias
demais normais
Fedendo a abacaxi
Comprei um celular novo
Mas não penso em ninguém interessante
pra ligar
Confiro uma loteria velha
esquecida há muito tempo
Desisto pra sempre de apostar
A torneira pinga na cozinha
pingos pingos pingos
caindo sem discriminação
molhando os pratos sujos
que um dia vou lavar
Leio livros velhos
com grandes palavras difíceis
céu e inferno não me pertencem
Sobrevivo ao purgatório
dos dias
demais normais
10 de mai. de 2013
A história do bule de chá que perguntou demais para um homem
E, com um olhar de pesar estampado na feição, desdobrando-se em intermináveis trilhos feitos do mais puro e bem forjado tédio. Vagando em um caminho trilhado pelo acaso, avistou saindo de seu armário um grande bule de chá gigantesco. O Bule de chá agigantava-se na névoa noturna e suas indagações gritadas ao todo vapor embranqueciam a noite protegida pelo fogo das estrelas. Sua alma atemorizou-se pois não conhecia a resposta para nenhuma das perguntas lançadas indiscriminadamente pelo quente Bule. Em trilhas perdidas sua mente se desvanecia e ele só desejava o fim dos hercúleos ataques contra a própria sapiência. Então, após algum pequeno intervalo de tempo o Bule de Chá começa a esfriar, e a água esfria-se a tal ponto, para assombro de seu intelecto ultrapassado, que congela. Curioso ao ver o hiperativo bule decair à tal grau de inatividade, sem apresentar nenhum temor, aproximou-se e olhou pra dentro do seu interior. Foi quando veio uma forte onda de pressão que sugou-lhe para frente empurrando-o em direção ao gelo. Fechou os olhos, esperando o impacto inadiável, mas ao invés de quebrar o pescoço contra a dura face cristalina do gelo penetrou em um plasma negro, viscoso, inodoro. Não via, não ouvia, não sentia. Inúmeras tentativas de mudar o curso do seu destino fracassaram e viu-se aprisionado, até o fim de seus dias em uma impenetrável escuridão total.
8 de mai. de 2013
De cabeça pra baixo
Acordar as 5 e meia da manhã
O sol deitado
o frio desperto
e eu assustado sem saber
pra que lado correr
Fugindo do terror
Pra beijar o medo
Quem escala montanhas
De cabeça pra baixo
Chega no fundo
Não no topo
O sol deitado
o frio desperto
e eu assustado sem saber
pra que lado correr
Fugindo do terror
Pra beijar o medo
Quem escala montanhas
De cabeça pra baixo
Chega no fundo
Não no topo
5 de mai. de 2013
Espelho Insosso
A poesia é a imagem refletida da vida
e quando a vida perde o tempero
a poesia fica assim
sem sal.
e quando a vida perde o tempero
a poesia fica assim
sem sal.
29 de abr. de 2013
Alpendres
A quebra do alpendre
o impacto no chão
e duas verdades a menos
na cabeça do babuíno
Chuva ácida
corroeu a estrutura
deixando-a flácida
derretendo-a como gordura
jogada na fogueira
O medo apoderar-se-á
dos incautos e infelizes
que não notam a má
pura crueldade humana
tal lagartos
vestindo ternos e vestidos
E uma janela
será Quebrada e trincada
Por fortes ventos
vindos de dentro
ela nunca mais
nunca se consertará
e a luz das estrelas
quando quiser;
entrará
Calculadoras quebradas
terra embarrada
cartões vencidos
gramado verde
dinheiro morto
A adrenalina da vida
concentrada em grandes doses
feitas do mesmo concreto
que segurava o alpendre
o impacto no chão
e duas verdades a menos
na cabeça do babuíno
Chuva ácida
corroeu a estrutura
deixando-a flácida
derretendo-a como gordura
jogada na fogueira
O medo apoderar-se-á
dos incautos e infelizes
que não notam a má
pura crueldade humana
tal lagartos
vestindo ternos e vestidos
E uma janela
será Quebrada e trincada
Por fortes ventos
vindos de dentro
ela nunca mais
nunca se consertará
e a luz das estrelas
quando quiser;
entrará
Calculadoras quebradas
terra embarrada
cartões vencidos
gramado verde
dinheiro morto
A adrenalina da vida
concentrada em grandes doses
feitas do mesmo concreto
que segurava o alpendre
27 de abr. de 2013
Futura cidade bucólica
Metrópoles construídas com cal
Máscaras azedas dum povo escondido
Sumidos-guardados dentro de casa
com paredes ocas que nem os sonhos
Janelas, Muros, estátuas falsas
Arquitetura do dinheiro conquistando o diabo
Caído do céu fincado na terra
Sob nome de Adão ou de Eva
Comendo o mundo
Que nem um fungo
Parasitando tudo e todos
Extinção e holocausto
De nada adiantarão
O verde estará aqui
Até muito depois de qualquer um
E os prédios pintados de cinza
Há muito terão desabado
Máscaras azedas dum povo escondido
Sumidos-guardados dentro de casa
com paredes ocas que nem os sonhos
Janelas, Muros, estátuas falsas
Arquitetura do dinheiro conquistando o diabo
Caído do céu fincado na terra
Sob nome de Adão ou de Eva
Comendo o mundo
Que nem um fungo
Parasitando tudo e todos
Extinção e holocausto
De nada adiantarão
O verde estará aqui
Até muito depois de qualquer um
E os prédios pintados de cinza
Há muito terão desabado
22 de abr. de 2013
Inconstância
Trocam de telhado
Assim como trocam de chão
Sustentados
carregados
ao som rotundo
do escuro silêncio,
Habitam males, castigos
avaliado o é
rotulado é claro
falhou sem certeza
do porvir fumegante
a fogueira sem fim
carbonizou o sentido
e suas lágrimas molhadas
caíram sobre as chamas
mas não as apagaram.
Assim como trocam de chão
Sustentados
carregados
ao som rotundo
do escuro silêncio,
Habitam males, castigos
avaliado o é
rotulado é claro
falhou sem certeza
do porvir fumegante
a fogueira sem fim
carbonizou o sentido
e suas lágrimas molhadas
caíram sobre as chamas
mas não as apagaram.
21 de abr. de 2013
Domingo
Quando sinto a ingratidão
da felicidade que abandona
Os pobres cegos entediados
Debatendo-se inutilmente em viroses de desânimo
Empilhando grandes palavras
Para explicar o dissabor dos seus dias
O fel entalado na garganta
e a vida parecendo uma grande corrida
em uma esteira elétrica
da felicidade que abandona
Os pobres cegos entediados
Debatendo-se inutilmente em viroses de desânimo
Empilhando grandes palavras
Para explicar o dissabor dos seus dias
O fel entalado na garganta
e a vida parecendo uma grande corrida
em uma esteira elétrica
verbalizar
Pisando
nas próprias pernas
Caminhando
pelo próprio mundo
Observando
todas as outras feras
Mordendo
o próprio terror
Tremendo
Da insensatez
amedrontado pelo esquecimento
E ainda assim
vendeu todo o rancor
para não mais
afogar-se.
Caminhando
pelo próprio mundo
Observando
todas as outras feras
Mordendo
o próprio terror
Tremendo
Da insensatez
amedrontado pelo esquecimento
E ainda assim
vendeu todo o rancor
para não mais
afogar-se.
16 de abr. de 2013
Fome
Comi larvas no meu sanduíche
caramujos na alface
e as lesmas da salada
porém mas todavia
Não posso concordar
Que me tolhem a liberdade
E que eu viva de mato
Se for pra viver
que nem terno camisa e sapato
tampouco vou sentir saudade
dessa floresta sombria
Fundada, erguida e concretada
la gran prisão que impede
o vulcão de explodir
E até a coisa mais amada
já foi há muito deixada
para os corvos:
Se deliciarem.
caramujos na alface
e as lesmas da salada
porém mas todavia
Não posso concordar
Que me tolhem a liberdade
E que eu viva de mato
Se for pra viver
que nem terno camisa e sapato
tampouco vou sentir saudade
dessa floresta sombria
Fundada, erguida e concretada
la gran prisão que impede
o vulcão de explodir
E até a coisa mais amada
já foi há muito deixada
para os corvos:
Se deliciarem.
22 de mar. de 2013
16 de mar. de 2013
Alegre prisão alugada
Na sobrevivência:
de quem tem uma geladeira
e um blues bem azul
na trilha sonora da vida;
um fogão meio sujo
uma mesa com um furo no meio
onde a comida
tem costume de cair
3 cadeiras bambas
e suas pernas tortas
fardo de cerveja vagabunda
carne moída de segunda
a chaleira queimada
um cacho de fruta estragada
o chão cheio de cinzas
queimadas na contra-mão
da alegre prisão alugada.
de quem tem uma geladeira
e um blues bem azul
na trilha sonora da vida;
um fogão meio sujo
uma mesa com um furo no meio
onde a comida
tem costume de cair
3 cadeiras bambas
e suas pernas tortas
fardo de cerveja vagabunda
carne moída de segunda
a chaleira queimada
um cacho de fruta estragada
o chão cheio de cinzas
queimadas na contra-mão
da alegre prisão alugada.
5 de mar. de 2013
Minguante
No trinido do silêncio
A voz da escuridão grita
um ensurdecedor berro
E quem seu mundo habita
escuta emudecido
o som forte como ferro.
Sente-se ferido
o pobre desavisado
que escuta tal troar
sem estar preparado
para o conhecimento que a noite esconde
Embaixo dos seus olhos de luar
A voz da escuridão grita
um ensurdecedor berro
E quem seu mundo habita
escuta emudecido
o som forte como ferro.
Sente-se ferido
o pobre desavisado
que escuta tal troar
sem estar preparado
para o conhecimento que a noite esconde
Embaixo dos seus olhos de luar
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