28 de ago. de 2013

acostumados

Sigo na minha inocência
fingida
descarada
hipócrita
vivendo ideais já mortos
deixando de viver
pelo simples medo
do sabor do medo.

o passo para o voo
nunca foi dado
virei homem sintético
agraciado pelo prazer
de mentira
pelo gosto
da mentira

Embolotando, apenas assisto
a realidade se emoldurando
a vida fazendo-se em quadros
a mais extasiante obra de arte
em grandes e gigantescos frames
pendurada em uma parede
intocável em seu destino.

Não
não!
não me permito desistir
simplesmente assim
mas a esperança
só não morre
por já estar velha demais.

20 de ago. de 2013

pedido de salvamento

Poesias gritadas duas vezes
em cubículos de plastico
em murmuros eternos
em quadros brancos
brancos

Filas kilométricas no meio de mesas cheias de humanos
luzes acesas
novas luzes queimadas
o mesmo do mesmo
dado como novo

Determinação
Tentativa
Desapego
Desistência

Desliguem meu piloto automático
desliguem-me do sistema
me ajude
para começar a viver
tenho que destruir um mundo.

18 de ago. de 2013

culto novo

Coloco meu dedo 
lá no fundo do nariz
e com dificuldade, usando minha unha
tiro um grande pedaço
um material informe
amarelado e negro
Analisando atentamente
acho até detalhes em verde
grande obra
digna de salões brancos e estéreis
seu colorido espectral
junto com sua aparência pastosa
causariam admiração e comoção
nas almas sensitivas da arte 
holofotes gigantes iluminando
lugar cativo ao lado de rodin
fama e fortuna eternas
ao grande nariz criador
serei honrado abraçado bajulado
estudado
meu nome figurará
nos livros de história
"o nariz que comoveu o mundo''
e o culto à escatologia
se tornará mundial.

4 de ago. de 2013

caos zero

Permanentemente
escanteando as esperanças
ao andar na rua
e ver o rosto das pessoas 
vazios.
é só assim
que conseguem flutuar
por esse mundo afogado

3 de ago. de 2013

Fraco pra ser fraco

Transformados em pedras humanas
estáticas pilastras de ferro
cobertas de panos brancos
de vergonha
sem vergonha

Trajetos humanos traçados
no piche negro, no asfalto quente
não vá pela sombra
não caminhe pela luz

Amoleça
a força
a força do seu peito
amoleça
pereça
para então
sair vitorioso
como eles pregam.

26 de jul. de 2013

Pré-feito

Inexoravelmente
as portas se abrem
e do mundo entende-se
alguns segundos a mais
a realidade crua nua
bate forte corte

Mas, sem mais palavras
de ordem
recito minha preocupação
com a indisposição enraizada
com a fuga programada
com o mundo antecipado

Refuto inclusive
essa tela quadrada
seu poder imperante
sobre os repteis
encardidos pelo toque
de uma glândula qualquer.

É impossível proclamar
coloridos poemas frondosos
com tanto mandado
de um grilho faminto
vou plantar
essa tal de imprevisão
e nadar entre ondas
ondas livres de mim.

23 de jul. de 2013

humanidade

os desejos são iguais
os sonhos são iguais
as ilusões são iguais
os pensamentos são iguais
ideologias são iguais
suas roupas são iguais
comportamentos, iguais
suas verdades são iguais
suas paixões são iguais
mas o pôr do sol
sempre será diferente
o animal mais evoluído do mundo
nunca será a formiga.

6 de jul. de 2013

Barulhos do mato

Os uivos dos lobos agitaram José
O Vigia que trabalhava por ali
Vigiando um grande pasto verde
Rodeado por uma floresta densa.
Com os latidos dos cães era bem
acostumado
Mas quando os lobos começaram a uivar
Realmente não soube o que fazer
Tinha planejado todos os momentos
De sua longa vigia
E os uivos lupinos eram totalmente
inesperados.
Sua mente ordenava,
Que ele tomasse alguma atitude
Referente à esses uivos vizinhos
Mas seu corpo tremia,
Sua pele eriçava de medo
Um vigia com as pernas tremendo
Isso o incomodava
sua própria indecisão e impotência
Inebriava sua mente.
Louco varrido
Ficou após algumas semanas
Irreconhecível na sua natureza de vigia
Até que um derradeiro dia
Após muito passar tormento
e dos lobos se sentir escravo
O vigia num grande ato
Largou seu posto no verde pasto
Adentrou à escura floresta
E, na floresta densa e quente
Os uivos dos lobos simplesmente
pararam de incomodar
ele deixou de ser vigia
E nas árvores passou a morar
Dos lobos virou amigo
era uma nova vida a respirar
E quando achou tudo perfeito
Eis que eles escuta
O trinido irritante de um grilo...

3 de jul. de 2013

Geleia Geral

 ou O Grandioso Encontro com as Sementes:

iludindo-me com a guitarra elétrica
e assoprando uma gaita
vermelha
ou verde
os brilhos não reluzem
em conformidade
com as ondas de luz
mas sinto
a energia transpassando por mim
em lampejos de sapiência divina.
os divinos ancestrais
abençoam minha aura
elevam meu espírito
numa turbe de vento
que me joga numa nuvem
diferente dessa aqui.

1 de jul. de 2013

frio

Cruel
Vil
Sôfrego respirar
choro
frio 
desapego
de si mesmo
jaulas
preso por um fio
que sigo
com orgulho
falso
fajuto 
fuga!
fuja,
fuja!

29 de jun. de 2013

Claro como o ar

caminhos escuros
cheios de farpa
escoo sozinho solto no mar
azul escuro profundo
e o copo na minha mão
é branco translúcido
e gelado.

27 de jun. de 2013

Hoje, amanhã e depois

Meu parapeito está sujo
De terra e cinza molhada
minha tosse surda canta
Em ressalvas destonantes
na janta comi miojo
de almoço duas alfaces

O sol, brilho reluzente
escondido pela chuva
seu sorriso sorridente
com cáries gigantescas
iluminando um povo descrente
em nossas explicações dantescas

E as árvores
Que sob essa luz brotam
São ocas, risonhas e livres
Nascem em mentes férteis
nos verdejantes cérebros humanos
Mas, não fazem fotossíntese
alimentam-se
de ilusões.

22 de jun. de 2013

baravida

Entro com a garrafa de bebida
Enrustida no casaco
a vida merece o bar,
o bar a vida.

19 de jun. de 2013

sistema

Desejos crus
guiados por uma mente viciada
o espírito nu
envergonhado
frente às possibilidades
semelhantes dia após dia
A mente não obedece mais
A mente não obedece mais
Você foi controlado
Ingira seu soma
Embriague-se com desenganos
Veja pela venda escura
O sol claro que bate em teu rosto
Esbofeteiam-lhe a cara
seguidas e seguidas vezes
você é apenas um animal
deves aprender a apanhar,
e sorrir.

14 de jun. de 2013

Sede de mato

Poetizado
Politizado
Polinizado
Espanhas de pura flores
Tragédias de pequenos ingleses
uma frança de puro amores
casa dos maiores burgueses
Barbudos e cheios de farpa
Essa farsa que nos é dirigida
Do mundo como conhecemos
É bem aquém da real vida
Escoe pelo muro da verdade
caindo no abismo do bueiro
Cuide do seu terreiro
Cerque-o da cidade
Pois o mato do mato é
e não precisa de rede
pra quem tem sede
do mato no mato ser.