29 de abr de 2013

Alpendres

A quebra do alpendre
o impacto no chão
e duas verdades a menos
na cabeça do babuíno
Chuva ácida
corroeu a estrutura
deixando-a flácida
derretendo-a como gordura
jogada na fogueira

O medo apoderar-se-á
dos incautos e infelizes
que não notam a má
pura crueldade humana
tal lagartos
vestindo ternos e vestidos

E uma janela
será Quebrada e trincada
Por fortes ventos
vindos de dentro
ela nunca mais
nunca se consertará
e a luz das estrelas
quando quiser;
entrará

Calculadoras quebradas
terra embarrada
cartões vencidos
gramado verde
dinheiro morto
A adrenalina da vida
concentrada em grandes doses
feitas do mesmo concreto
que segurava o alpendre

27 de abr de 2013

Futura cidade bucólica

Metrópoles construídas com cal
Máscaras azedas dum povo escondido
Sumidos-guardados dentro de casa
com paredes ocas que nem os sonhos
Janelas, Muros, estátuas falsas
Arquitetura do dinheiro conquistando o diabo
Caído do céu fincado na terra
Sob nome de Adão ou de Eva
Comendo o mundo
Que nem um fungo
Parasitando tudo e todos
Extinção e holocausto
De nada adiantarão
O verde estará aqui
Até muito depois de qualquer um
E os prédios pintados de cinza
Há muito terão desabado

22 de abr de 2013

Inconstância

Trocam de telhado
Assim como trocam de chão
Sustentados
carregados
ao som rotundo
do escuro silêncio,
Habitam males, castigos
avaliado o é
rotulado é claro
falhou sem certeza
do porvir fumegante
a fogueira sem fim
carbonizou o sentido
e suas lágrimas molhadas
caíram sobre as chamas
mas não as apagaram.


21 de abr de 2013

Domingo

Quando sinto a ingratidão
da felicidade que abandona
Os pobres cegos entediados
Debatendo-se inutilmente em viroses de desânimo
Empilhando grandes palavras
Para explicar o dissabor dos seus dias
O fel entalado na garganta
e a vida parecendo uma grande corrida
em uma esteira elétrica

verbalizar

Pisando
nas próprias pernas
Caminhando
pelo próprio mundo
Observando
todas as outras feras
Mordendo
o próprio terror
Tremendo
Da insensatez
amedrontado pelo esquecimento
E ainda assim
vendeu todo o rancor
para não mais
afogar-se.

16 de abr de 2013

Fome

Comi larvas no meu sanduíche
caramujos na alface
e as lesmas da salada
porém mas todavia
Não posso concordar
Que me tolhem a liberdade
E que eu viva de mato
Se for pra viver
que nem terno camisa e sapato
tampouco vou sentir saudade
dessa floresta sombria
Fundada, erguida e concretada
la gran prisão que impede
o vulcão de explodir
E até a coisa mais amada
já foi há muito deixada
para os corvos:
Se deliciarem.