22 de ago de 2014

Eu encontrei dúzias de macacos hoje na porta da minha casa

Eu encontrei dúzias de macacos hoje na porta da minha casa amarela que tem um grande ipê amarelo florido na frente cujo cheiro inebria todo e qualquer transeunte que passa por aqui Olá gritei para os símios sorridentes que me olhavam curiosos Olá eles responderam em uníssono animado conheciam a última flor do lacio por terem lido macunaíma Vamos passear suba nessa arvore Sim eu subi na árvore e juntos pulamos de galho em galho passando pelo meio das folhas colhendo frutos primaveris e soltando um macaquear digno das grande peças epopeicas de Homero caso de sapiens passasse ele a ser símio mas macacos são muito velozes eu que havia esquecido a mão esquerda em casa estava muito atrás dos meus novos amigos ja me sentia novamente solitário tinha gostado dessa nova gente que não precisava embalar suas coisas em plastico estranho não ter saquinhos pra guardar as frutas colhidas das árvores que mercado deve ser esse enfim ja me perdia em vãs devaneios quando  de relance escuto o grasnar de um tucano Ô tucano viu os macacos pra onde foram? Vi meu chapa há umas 3 luas lá no lago do timbó devem tá por lá venha aqui pegue uma asa emprestada pra por no lugar dessa mão maneta respondi Bendito tucano sua bondade é de ouro Ouro que ouro prefiro muito mais uma bondade de romã adeus camarada e foi voando em direção à um destino qualquer que os tucanos tem traçados em sua vocação a jornada continua com uma nova injeção de ânimo que me resplandecia a arcada dentária e fazia mostra-la pra todo mundo ou seja as pitangueiras bananeiras abacateiros juremas trepadeiras até pra araucaria carrancuda e pra onça com dor de barriga que comia folhas da floresta e ria de volta pra mim mim que já andava meio diferente pulava com uma mão me agarrava com outra voava e nisso ia eu indo pensando ninguém vai acreditar nisso mesmo mas não vou aumentar a história com mentiras não os macacos podem estar me observando eles me cativaram agora deveriam cuidar de mim sim é obviamente a sua obrigação.
Foi quando se fez noite e de macacos nenhum rastro de lago do timbó nenhum também isso nem deve existir deveria ter perguntado pra uma coruja não pra um tucano tucano gosta mesmo é de lucro de hierarquia de grandes fortunas mas a noite esfriou e eu que saí de casa sem lenço nem documento não tinha mais calor nenhum muito menos meu registro geral o que fazer num estado pré calamitoso desse estilo era a grande questão e num arroubo de desespero me abracei numa paineira rosada florida e suspirei um profundo E agora? então a floresta resolveu me responder com um profundo silêncio todos os grilos cigarras pernilongos lagartixas centopeias ariranhas e gemidos de amor se calaram e a escuridão se tornou vazia de sons e cores o que não impedia de sentir a vida que ainda palpitava os cheiros o sabor estavam todos ali pra língua mais próxima tocar sentir lamber e foi nesse silencio de mosteiro que já indignava qualquer traço de senso de realidade que ainda me era possuído que escutei vindo de dentro de mim próprio uma suave nota prolongada baixa algo como um ohm que os chapeleiros usam tanto em suas viagens extraterrenas Pronto agora sim fiquei maluco mesmo o que pensará minha mãe meus tios o padeiro que me vende pão a moça do mercado que pesa as frutas e sempre me nega um sorriso? era o que  se passava por dentro dos meus bigodes castanhos até escutar Acalme-se ínfima criatura e quando isso proferiu-se todos os gritos de todos os animais pararam de parar de sair de suas gargantas e foram regurgitados de uma vez só isso era ensurdecedor mas dentro da'alma eu ouvi sim pois se em algum lugar se escuta perfeitamente bem é dentro da propri'alma Eu sou muuuuuu seja bem vindo felizardo e notei que quem falava dentro da minha alma era a sombrosa paineira cheirosa sorri já tinha certeza que não estava a enlouquecer Grande mestre estou com frio com fome com sono e não encontro meus célebres companheiros macacos que tanto me davam alegrias Você tem uma grande alma mas é fraco respondeu tempestuoso ser rosáceo Mas vou lhe ajudar e assim um dia serás forte.
E da paineira um grande portal se abriu azulado como saturno e brilhante como uma ideia desci torto pousar com uma asa só nunca foi tarefa fácil sem pensar duas vezes nem vacilar entrei no portal diretamente com a cabeça que aprende as coisas primeiro que o resto do corpo e quando vi sorri o largo riso dos macacos pois todos eles estavam lá ao redor do lago do timbó festando como é peculiar em suas vidas pulando ao redor do lago cintilante trepando nas árvores e dando cambalhotas no ar pairando alguns segundos como portentosos beija-flores ou simplesmente sentados em rodas comendo bananas e queimando flores então corri como se tivesse pernas pela primeira vez como se corresse por uma medalha de romã como se corresse atrás de um grande amor fiz-me num grande salto e caí no rio solidíssimo fluído e quando abri os olhos embaixo d'agua foi como se estivesse dormindo foi como estivesse no paraíso embasbacado olhei para cima e vi pela primeira vez o que já tinha visto antes os macacos eram meus sonhos que embalados em perfeita sintonia passavam por cima de mim tinha sonhos de ontem de anteontem de hoje alguns que não reconheci deviam ser os de amanhã mas os sonhos de amanhã não servem pra serem sonhados hoje fiquei nessa de admirar meus sonhos peguei alguns abracei senti o gosto de ilusão porém uma epifania desanimou-me fortemente até uma coruja parda com ar benevolente e magistral pousar do meu lado Querida coruja pedi Meus sonhos de ontem estão ali os de hoje estão ali os de amanhã estão ali mas eu não vi os sonhos que deixaram de ser sonhos e com um pio olhar de decisão ela respondeu Meu caro os sonhos que deixaram de ser sonhos são o que você é hoje.

11 de ago de 2014

n

não vou escrever poesia
posso me desviar do foco
tenho que viver no mundo real
longe de qualquer amigo nagual
não olho pro lado
pois seria trapaça
encontro a constante
mas não a replicante
ó dúbia desgraça
ponho-me ajoelhado
com o pescoço prostrado
6 é o número do homem
ao qual vivo vassalo
e me diz
e aponta-me se
estou certo ou errado
feliz ou fadado
a falhar novamente