28 de out de 2011

De privadas a altares
Usamos nossas frases e textos como privadas ou como altares? Partindo do pressuposto que escrevemos pra nos livramos de sentimentos opressores (sejam eles sentimentos angustiantes por serem extremamente tristes ou felizes, ambos oprimem o ser) utilizamos as nossas faculdades mentais pra construirmos uma privada onde jogamos todos os dejetos de nossa alma (sentido figurado, alma só existe quando se precisa morrer) , sem qualquer seleção. Mas ao mesmo tempo, como em qualquer drama, elevamos os nossos sentimentos, aspirações ao mais alto altar tentando demonstrar o quão gloriosos são as nossas ideias que exalam por nossos dedos em sinapses nervosas e imprecisas. Unindo essa ideias, podemos notar que ao escrevemos demonstrando nunces de nossa alma estamos sentados numa privada em cima de um altar "expelindo matéria literária". Portanto vamos "expelir", expeliremos nossos sentimentos, mas expeliremos em finas privadas postas em cima de belos e reluzentes altares. E quando aplaudirem você na privada em cima do altar, não se envergonhará, mas inflará de glória.

9 de out de 2011

Um cara que fumava e corria, era assim que eu me denominava. Fumava e ia correr, uma carteira e alguns minutos de pique. Eu não tinha nada pra fazer mesmo, daí eu só fazia isso. Correr e fumar, era simples. É claro que não fumava enquanto corria, nunca fui um diferencial em algo, sempre comum comparado à esse mundo, daí eu fumava, parado, e depois ia correr, ou vice-versa. As pessoas sempre se perguntavam quem eu era, sempre correndo ou fumando, nunca fazendo nada diferente. A cidade não era pequena, mas não era grande, e nesse tipo de cidade grande o suficiente pra não acontecer que nem naqueles vilarejos onde todo mundo se conhece, e não tão grande o suficiente pra ser caótica e superpovoada. A cidade ideal pra mim que só pensava, em correr e fumar. Bem, pensar não era a palavra certa, afinal eu não pensava muito, eu só corria e fumava.
Morava numa pensãozinha, modesta, pobre, barata, mas que oferecia refeições e um quarto próprio, e ninguém queria saber muito de mim lá, era só eu pagar em dia que eu ficaria em paz correndo e fumando.
Pagava os meus cigarros e minha pensão, fazendo bicos. Simples, não sei como me virava com esses bicos, que iam desde entregar panfletos até cortar capim pra uns caras estranhos que colocavam em uns cigarros que eles vendiam nas bocas de fumo. Vendo hoje não sei como conseguia sobreviver, mas também, vendo hoje já não poderia falar que eu só corria e fumava, já que eu trabalhava, mesmo que só pra subsistência da minha corrida e meu cigarro.
Talvez por essa história estar sendo contada como se fosse no passado, ela já tenho acontecido e esse tempo já tivesse passado.
Mas ainda também, ela seja como somos hoje, uma história sem sentido, que não tem pé nem cabeça e não apresenta nenhuma capacidade aparente de desenvolvimento, sem futuro nenhum.

Os sábios são os outros

Vivemos no mundo em que os sábios são os outros. Não há mais produção, criação, participação própria. Tudo o que sentimos, vivenciamos, respiramos não é mais expresso com nossas palavras. É tão mais comôdo usarmos palavras de outros para nos explicarmos. PALAVRAS DE OUTROS, NOS EXPLICARMOS. Chegamos, aleluia a uma falta de lógica que talvez dê corda ( ou não) à esse texto.
Aquele sentimento de saudade, frase do Caio Fernando Abreu, sentimento feminista? Tati Bernardi, sentimento de revolta, procura algo do Arnaldo Jabor, talvez eu me sinta a cloaca do mundo: Bukowski. Se você acredita que pode vencer na vida burguesa (dinheiro, dinheiro, dinheiro, dinheiro, dinheiro, de tanto repetir, vai que traz felicidade) uma frase do Eike Batista ou do Steve Jobs (só cito pq ele morreu) irá explicar teu gosto pelo sucesso. E uma frase de mim (afinal quem poderia me descrever melhor) sobre eu mesmo: Anh, procura em algum site de horóscopo.
Tá aí, deixem os outros te descreverem, deixem os outros te analisarem, deixem os outros PENSAREM
Boa sorte ao utilizar muletas fabricadas para serem usadas em outros coxos!

Não que eu tenha algo contra os escritores gabaritados (afinal só consigo escrever essas parcas linhas por lê-los) mas deixa eu tentar demonstrar a sensação que eu tive ao enojar-me com textos colados. É só de mim pra mim mesmo, ninguém lê esse blog.

Editado: Um dia escreverei um livro inteiro sobre o porquê (não deve ser assim que se escreve) do "ou não" SEMPRE prevalecer

4 de out de 2011

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Só eu que acho que tudo o que vivemos meio que já aconteceu em alguma outra dimensão paralela em que vivemos (também) que está extremamente interligada à nossa vida e que as diversas dimensões paralelas se interligam para formar algo que é um só eu e que somos eus em todas as dimensões paralelas, mas de forma diferente e com atividade diferentes. Mas não notamos pois se notássemos saberíamos o sentido da nossa vida, porém como sabemos que o sentido da nossa vida é que ela não tem sentido (aparentemente) e que se soubessemos o sentido da nossa vida nossa vida não teria mais sentido pois quebraríamos uma gama de possibilidades que podemos seguir para apenas seguir determinadamente o sentido da nossa vida, tirando totalmente o sentido da nossa vida, pois esqueceríamos de todo o resto e da verdadeira dificuldade que é sempre ficar procurando o sentido da vida.
Mas como o sentido da nossa vida está na junção de todos os eus que compomos nós, intrinsecamente, sabemos o sentido da nossa vida. Felizmente, nossos sentidos são extremamentes limitados e não captamos as nuances de todos os nossos eus. Talvez há pessoas que chegaram em um modo de evolução diferenciado e conseguiram, mesmo que deliberadamente e sem muita atenção à esse fato (pois pensam que existe apenas um eu e batalham arduamente para descobrir e quebrar as barreiras apensa do eu que conseguem notar) uma atividade, ou meio de pensamento (ou seja lá o que for, não sou um desses caras) que interligasse esses diferenciados eus. Essa atividade seria pesquisar o nosso próprio eu, assim teríamos a capacidade, por meio de deduções lógicas, de termos consciência dos nossos outros euses. Essas pessoas conseguiram encontrar, talvez, algo que poderiam chamar de sentido da vida, mesmo ele não sendo o sentido integral das suas próprias vidas mas sim apenas um reflexo do verdadeiro sentido da vida que deve estar além do alcance de qualquer pessoa que já passou pela dimensão de eu que conhecemos. Sem falar que esses iluminados que conseguiram um pequeno acesso ao seu eu tiveram um grande e pesado fardo a ser carregado ao resto da sua vida, que era ter consciência ( embora desfocada) do sentido da vida, ficando (seguindo a lógica, sem muito sentido na vida).
Portanto toda a bobagem de dimensão paralela que eu falei no começo não passa de erro de nomenclatura (ou não, vai saber) e que essas dimensões consistem nos diversos "eu" que somos.
Tirem suas próprias conclusões, mas nunca queiram descobrir o sentido da própria vida
Acho que eu vou dormir já são 5 horas da madruga