4 de dez de 2014

Ovelha e os lobos

sorridente Ademir Ovelha entrou numa jaula de lobos com duas laranjas na mão, totalmente inadvertido das extremas condições perigosas que poderiam sobrevir sobre ele, e quando as ideias de medo não transpassam alguma glândula responsável não se sente qualquer insegurança e por isso não se pode negar que risonho  Ademir Ovelha estava, apesar de que, se nos colocarmos no lugar de Ademir Ovelha,  seguindo fielmente sua ótica veríamos que não ele estava sorrindo por estar feliz mas sim por algo semelhante que seus pensamentos únicos e pessoais conferiam à sua vida, no fim é apenas mais um costume, talvez ele possa até se incomodar com isso. Porém a realidade fiel crua e fractal mostrava que Ademir Ovelha não tinha realmente nenhum motivo para preocupação, pois após adentrar pacificamente no recinto lupino para quem pudesse estar observando o dito espetáculo dessa infinitesimal parte da vida , pois afinal tudo não passa de um grande teatro,  não veria reação nenhuma por parte dos lobos, indignado o observante se sentiria caso não soubesse que esses seres cheios de caninos, músculos lupinos, olhos de lua e rabos sacolejantes intermitentes  não eram lobos. Nem sequer imaginavam que sua existência nessa terra englobada pela estratosfera que ainda dividimos era vocacionada em um cotidiano lobo. Ademir Ovelha cuja presença em um covil de lobos seria certamente sentida, nomes são símbolos poderosos e quando alguém os dá  provavelmente o dão com alguma expectativa podendo diferenciar algum que outro detalhe rotineiro, como este em questão,   passava incólume por esse lugar certamente tenebroso, em outros tempos que não este, mantendo toda a segurança que aquele dia como qualquer outro passava, sem muito espírito nem combatividade, sua última e única expectativa de mudança e atipicidade diuturna era amadurecer aqueles pêssegos de um pé que cegamente imaginava só ele conhecer. Lobos e pêssegos não parecem ter muito em comum, nenhuma relação que os interconecte, mas isso sob uma ótica que desconhece muitos os pareceres da realidade que Ademir Ovelha estava a viver e nem sequer notava. Encontrava-se num lugar cheio de lobos que não sabiam que eram lobos mantendo suas esperanças em pêssegos que por serem verdes ainda não eram honestamente chamados de pêssegos, faltavam ainda miligramas de frutoses para Ademir Ovelha conferir-lhes tal título, portanto ainda não eram pêssegos. Então não pode se dizer que os lobos não sabem que não são lobos, eles sem sombra de dúvida  tem grandes possibilidades de cultivarem pensamentos abstratos profundos que os leva à conclusão correta sobre sua natureza, mas com seus olhos usados para observar o horizonte, olhar pra fora e não enxergar nem ouvir (não deveria entrar no mérito de não diferenciar os sentidos de forma a torna-los limítrofes entre si  e sim corroborados pois ambos são responsáveis por fazer-nos compreender porcamente essas ondas para não me tornar enfadonho, porém tudo são ondas não há muito que possa ser feito) o que realmente está acontecendo. E assim sobre vivem numa irrealidade imaginária, não que isso seja facilmente identificado, se seres humanos estão corriqueiramente perdidos entre essas duas inconstantes: a parte real e parte a parte imaginária, porque lobos verdes não poderiam estar também?

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