26 de nov. de 2025

Antagonista

14:13
Em uma tarde de calor estonteante, sob um sol maravilhoso e um céu azul de tão azul. Nos deparamos com mais um entendimento. O entendimento de buscar a escrita, rapida, completa, sagaz, para entender os processos. Olho para as telas e resolvo pontuar a situação que elas me colocam. Olho para o outro e busco responder e explicar nuances do eu, olho para a solidão e procuro explicar o sentimento do vazio. Olho para o vazio e vejo, vejo nada, desvio o olhar para que não o observe. olho para a tela. 
Pois bem, há um lapso de criatividade e falta de exultação nos compromissos cotidianos há algum tempo. Procrastinação e abuso de telas. Mesmos problemas. Mas esses textos aqui não são para choramingação pura e irrestrita, e sim para mostrar o espelho da realidade através de histórias discorridas. Esta história é sobre os pensamentos solares do sol. O sol, quente e brabíssimo em seu resplendoroso céu sabe realmente que sua existência é a existência de todas essas criaturas pensantes na sua órbita. Criaturas estas de todos, TODOS os tipos, das quais as mais (complexas?) estão numa situação diferenciada. Pois o sol aquece a todos e gera energia forte e constante, mas as criaturas hoje se alimentam muito mais do calor de telas, telas escuras onde é colocado uma partícula de sol, para que brilhem para olhos dissonantes. Mas seriam as telas o antagonista desta história solar? Pois duvido. As telas são apenas um sintoma. O sol sendo exímio ser luminoso que rege a tudo deve ter um antagonista forte o suficiente. A escuridão? Mas essa escuridão é a mesma que se silenciam com as telas. Da escuridão se foge para as telas. Então a escuridão também não é, mas a fuga da escuridão. A fuga, a fuga da escuridão ou a fuga do sol? Fugir é o ato de se escapar de algo que está acontecendo e se sucedendo. Seria nosso antagonista apenas a negação da ideação do sol? E essa negação do sol leva também a negarmos o contato às sombras? A fuga é a causa ou é mais um sintoma? A fuga seria um sintoma do que? Foge-se do sol, consequentemente foge-se da sombra, para não se visualizar. Visualizar o que? Foge-se do que? A fuga e a cadeira à sombra são companheiros. Esta cadeira (sentado novamente) parece ser um refúgio muito concreto, tanto do sol, quanto da sombra. Esta cadeira não pode ser a fuga pois a fuga é corrida? a fuga é movimento? assim como a morte, que não é estagnação? Qual a relação entre a vida da cadeira, a fuga, as telas e a morte? A morte seria o balizador que apita que há algo errado na vida?? Errado? Sentar-se à cadeira, ter comida infinita, buscar prosperar, as vezes mais, as vezes menos. Esta é a vida, movimento. Mas a vida da cadeira esconde-se do sol. E aparentemente esconde as sombras. É uma catatonia. O movimento é quem salva? Temos um cantor de uma música só. O movimento salva, mas movimento sem direção é fuga. O sol a escuridão parecem ser do mesmo "material". As telas e a cadeira são de outro material. E a fuga é outro material. Como diferentes espécies desta história, relacionadas mas totalmente diferentes. O sol e a escuridão são o caminho do movimento à morte. As telas e a cadeira são a fuga, a fuga da transmutação da energia da sombra em sol. Movimentar os medos e receios da sombra para o sol. Mas a cadeira é um porto seguro. Fugir da cadeira e das telas não parece uma opção. já que fazem parte do processo de comida infinita. Mas parar de fugir do sol e das sombras através da cadeira e das telas é a cura? Cura? Estamos buscando o antagonista, o antagonista do sol, mas aqui só tem eu, só tem eu. Até o sol sou aqui. Onde está o antagonista de mim?

14;34 - escrito em 21 minutos

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