10 de mai de 2013

A história do bule de chá que perguntou demais para um homem

E, com um olhar de pesar estampado na feição, desdobrando-se em intermináveis trilhos feitos do mais puro e bem forjado tédio. Vagando em um caminho trilhado pelo acaso, avistou saindo de seu armário um grande bule de chá gigantesco. O Bule de chá agigantava-se na névoa noturna e suas indagações gritadas ao todo vapor embranqueciam a noite protegida pelo fogo das estrelas. Sua alma atemorizou-se  pois não conhecia a resposta para nenhuma das perguntas lançadas indiscriminadamente pelo quente Bule. Em trilhas perdidas   sua mente se desvanecia  e ele só desejava o fim dos hercúleos ataques contra a própria sapiência.  Então, após algum pequeno intervalo de tempo o Bule de Chá começa a esfriar, e  a água esfria-se a tal ponto, para assombro de seu intelecto ultrapassado, que congela. Curioso ao ver o hiperativo bule decair à tal grau de inatividade, sem apresentar nenhum temor, aproximou-se e olhou pra dentro do seu interior. Foi quando veio uma forte onda de pressão que sugou-lhe para frente empurrando-o em direção ao gelo. Fechou os olhos, esperando o impacto inadiável, mas ao invés de quebrar o pescoço contra a dura face cristalina do gelo penetrou em um plasma negro, viscoso, inodoro. Não via, não ouvia, não sentia. Inúmeras tentativas de mudar o curso do seu destino fracassaram e viu-se aprisionado,  até o fim de seus dias em uma impenetrável escuridão total.

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